:: Revista Tamoios - Julho / Dezembro - Ano II, N°.2, 2006 - ISSN 1980-4490

:: Apresentação ::

Que boniteza! Esta é a Revista Tamoios Online em seu número digital com tema específico: Ensino de Geografia. Como veículo de comunicação do Departamento de Geografia da Faculdade de Formação de Professores da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) visa trazer uma contribuição para reflexão sobre questões relevantes da Geografia e o seu ensino escolar, sobre a formação de professores e estabelece um diálogo com pesquisadores de temas afins. Neste número apresentamos para leitura distintas reflexões e temáticas. É um esforço de promover um bom debate a respeito da educação geográfica, especialmente nestes tempos de reformas curriculares que põe em destaque a função do ensino da Geografia para os geógrafos, bem como para demais campos da Universidade.

O papel e o valor do ensino da geografia é um artigo do professor Pierre Monbeig publicado no Boletim Carioca de Geografia em 1954. É um resgate que gostamos de apresentar aos nossos leitores pela pertinência das questões que apresenta e formula. Traços de uma reflexão cujos fundamentos atravessaram décadas e se confirmam em trechos radicais como: “ninguém pode improvisar-se professor” e “convém que o ensino acompanhe as transformações do globo”. Da professora Sonia Maria Vanzella Castellar, um artigo que traz provocações iniciais acerca da compreensão da formação docente e das mudanças curriculares mais recentes, passa por breve balanço das reformas educacionais articulando-as ao ensino de Geografia num contexto de mudanças educacionais e epistemológicas. A cidade educadora é o foco da análise que a autora propõe sobre a educação geográfica que se concretiza pela ação docente teoricamente embasada e socialmente comprometida com a aprendizagem. O professor Marcos Antonio Campos Couto apresenta profunda reflexão sobre os Conceitos Geográficos e a Organização dos Conteúdos de Ensino. Resultado de pesquisa apurada, seu artigo discute inicialmente a prática pedagógica e a formação de conceitos geográficos considerando a perspectiva socioconstrutivista de Vygostsky e Davýdov para depois tratar da interdependência dos conceitos em dois autores relevantes para a Geografia contemporânea no Brasil. O Prof. Harold Córdoba Aldana, nos apresenta um debate sobre o ensino da geografia escolar na Colômbia. É uma contribuição que, para além dos elementos teórico-conceituais tratadas e da dimensão pedagógica – pensados e apresentados no contexto da pesquisa e da ação docente – nos oferece uma visão da educação geográfica no contexto latino americano. Do professor Douglas Santos o resgate que faz da fundamentação conceitual que precisa sustentar uma experiência de organização curricular. De autoria própria, no texto A Educação Geográfica na Escola insistimos: a promoção e defesa de uma educação geográfica que sirva e oriente as práticas da sociedade civil resultaria de uma transposição didática consciente e refletida na escola. Significa apresentar à sociedade a contribuição dos saberes geográficos para bem ler e estar no mundo. É um convite ao diálogo com professores, licenciandos e educadores diversos.

A entrevista dos licenciandos Diógenes Luiz da Silva e Vânia do Carmo Barreto da Silva com a professora Lana de Souza Cavalcanti nos brinda pelo diálogo estabelecido por esses leitores que, curiosos e atentos, apresentam à autora seus questionamentos seus receios e a consciência do inacabamento – um bonito diálogo valorizado pelas resposta da professora. E por fim, Sobretudo, as breves palavras da aluna Anna Carolina Ribeiro em sua poesia: versos para responder com leveza, e não menos radicalidade, aos questionamentos surgidos nas aulas de metodologia do ensino.

No Espaço de Diálogo, o professor Marcelo Ribeiro no texto Estilos e comportamentos juvenis: cultura, espaço urbano e sociabilidades discute comportamentos juvenis em manifestações culturais expressas em práticas e formas de associações nas quais se combinam sociabilidade, comunicação e práticas urbanas que mereceram leitura antropológica e etnográfica.

Esperamos neste número, cumprir ao menos parcialmente a tarefa de promover junto à comunidade geográfica um rico e fecundo diálogo a respeito da geografia que se ensina. São muitos os temas e desafios que os geógrafos educadores enfrentam na atualidade. Entre tantos estão a autonomia intelectual e pedagógica; as compreensões sobre o desenvolvimento humano e aprendizagem; uma atitude política inequívoca em face das condições do nosso tempo; tudo isso e muito mais requerendo de todos nós uma contribuição social relevante: “um conhecimento pertinente para uma vida decente”. Desejamos também que este número expresse o compromisso do Departamento de Geografia da Faculdade de Formação de Professores da UERJ com a educação pública de qualidade, com a ampliação dos espaços democráticos no ambiente acadêmico e o empenho na formação inicial e permanente dos professores de Geografia.

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